Comércio local

Feira de bairro em Belo Horizonte volta com preços abaixo do supermercado

Depois de dois anos de queda no número de barracas, a feira da região Noroeste retoma o movimento com hortifruti até 22% mais barato que redes de varejo. Produtores relatam retorno de clientes fiéis e novos moradores em busca de economia.

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Barracas de feira livre em bairro de Belo Horizonte

Na manhã de sábado, 7 de junho, a feira da região Noroeste de Belo Horizonte ocupou quase toda a extensão da praça onde, até o ano passado, quase metade das barracas estava fechada. O retorno do público é visível nas filas diante dos boxes de hortifruti e nas conversas entre feirantes e moradores que voltaram depois de meses comprando só em supermercado.

Para medir a diferença de preço, o Brasa comparou 14 itens de hortifruti em cinco pontos de feira e em três supermercados de rede na mesma região, entre 3 e 6 de junho de 2026. O resultado: a cesta de feira custou em média R$ 87,40; nos mercados, R$ 112,20 — uma economia de 22% no conjunto, com variação por produto.

Onde a feira ganha

Banana prata, tomate salada e batata inglesa apresentaram as maiores diferenças. O tomate estava 28% mais barato na feira, reflexo de entrega direta do produtor e menor custo de embalagem e logística refrigerada. Cenoura e couve-flor também ficaram abaixo do varejo em todos os pontos pesquisados.

Seu Antônio, 61 anos, cultiva hortaliças em Nova Contagem e vende na feira há 18 anos. "O cliente sumiu na pandemia e demorou a voltar. Agora vem gente nova do bairro, muito jovem, comparando preço no celular", conta. Ele diz que aceita Pix e até divide sacola quando o comprador veio a pé.

Onde o supermercado ainda compete

Nem tudo sai mais em conta na barraca. Produtos industrializados, leite longa vida e itens importados continuam mais baratos ou equivalentes nas redes, que negociam volume com distribuidores. A feira vence na frescura e no hortifruti de temporada — não no carrinho completo da semana.

Para Luciana Ferreira, 38, professora e mãe de dois, a estratégia é mista: "Compro carne e limpeza no mercado da esquina. Fruta, verdura e ovo eu busco na feira de sábado. Dá trabalho, mas no fim do mês a diferença aparece."

Retomada das barracas

A associação de feirantes da região Noroeste contabilizou 47 barracas ativas neste semestre, contra 31 no mesmo período de 2025. Parte do crescimento veio de produtores de cidades vizinhas que passaram a reservar vaga semanal após a queda da concorrência informal durante a pandemia.

A Prefeitura de Belo Horizonte informou que mantém programa de regularização de feiras livres e que não há previsão de novas restrições de horário. Feirantes pedem apenas melhoria na drenagem da praça após chuvas de maio, que deixaram lama em corredores centrais.

Dicas práticas para quem vai pela primeira vez

Especialistas em consumo consultados para esta reportagem reforçam hábitos simples: levar sacola retornável, comparar preço por quilo (não por unidade), chegar até as 9h para melhor variedade e perguntar a origem quando a etiqueta não está visível. Na feira, negociar é cultural — mas o respeito ao feirante conta mais que o desconto agressivo.

O Brasa seguirá monitorando preços na região Noroeste e em outras feiras de BH ao longo de junho. Sugestões de pontos para incluir na pesquisa podem ser enviadas para [email protected].